Não acabarão com o AMOR !

Não acabarão com o amor, nem as rusgas,nem a distância.Está provado,pensado,verificado.Aqui levanto solene minha estrofe de mil dedos e faço o juramento: "Amo firme, fiel e verdadeiramente ! "

Maiakovski


miércoles, 6 de agosto de 2008

Era uma menina tímida...

Era uma menina tímida.De pés descalços,e cabelos soltos ,passava a impressão de uma camponesa humilde e perdida.Tinha medo de ouvir e vergonha de falar.Caminhava pelo pampa com o olhar cravado no chão como se não conseguisse ou temesse visualizar o horizonte.Seus olhos verdes guardavam toda a aflição do mundo.A terra era verde também. Por todos os lados, podia se ver a vida brincando de roda com os bichos e plantas,com as flores e frutos daquela planície sem fim.Ela era especial como a terra.Ela era a terra.Era ela o que se pode sentir.O cheiro do mato o perfume da flor.Seu jeito de andar era o de uma gazela pequenina e frágil.Se a víssemos pelas costas,diríamos que era um filhote de alguém ou de alguma coisa.Ela era miúda e seus passos trôpegos nos faziam acreditar que acabara de nascer.Mas não.Tinha essa guriazinha pouco mais de 12 anos e nem se sabia viva ainda.
Ela trazia no rosto a beleza das manhãs e em seu escasso sorriso um céu de outono,qualquer coisa de mistério e entardecer.Era como se ela nunca houvesse conhecido um verão.Tudo isso se podia sentir nessa menina estranha e só.Ao vê-la uma sensação piedosa nos corria às veias quase como um frio remorso assim como uma culpa guardada num sentimento de impotência do nada poder fazer.Parecia como uma nuvem próxima e distante onde nossas mãos nem que o quisessem não poderiam alcançar.Só o gesto que não.O toque também. Também não... o toque.

Morri ao nascer....

Morri ao nascer....
Da vez primeira em que me assassinaramPerdi um jeito de sorrir que eu tinha...Depois, a cada vez que me mataram,Foram levando qualquer coisa minha...Hoje, dos meus cadáveres eu souO mais desnudo, o que não tem mais nada...Arde um toco de vela amarelada...Como único bem que me ficou!Vinde, corvos, chacais, ladrões da estrada!Pois dessa mão avaramente adunca,Não haverão de arrancar a luz sagrada!Aves da Noite! Asas do Horror! Voejai!Que a luz, trêmula e triste como um ai,A luz de um morto não se apaga nunca

(Mario Quintana)